To devendo outro post sobre o curioso hipervídeo. Como uma nova maneira de comunicar conteúdo, acompanhando as tendências e mudanças em torno da percepção dos humanos, ele merece mais, hehe.
O hipervídeo é um tipo de discurso intercalado. Funciona como o hipertexto, mas as associações não são estáticas porque vão aparecendo com o desenrolar do conteúdo principal. O link torna-se movimento. Ação. Não fica mais no mesmo lugar, nem apresenta o mesmo conteúdo. O fluxo de assimilação obedece à ordem de escolha de acordo com a demanda do usuário, que navega dentro do vídeo e clica em ícones com ou sem identificação para ter acesso a algo mais.
O desdobramento da narrativa pode ser ou não modificado. Nos jogos, pioneiros na utilização do recurso, com frequência o usuário tem acesso a conteúdos auxiliares que direcionam, incrementam, colaboram, completam ou surpreendem a imaginação. A narração é multiperspectiva mas acaba sempre no mesmo lugar. Herança do RPG, quem sabe. Como em Resident Evil 4, onde o jogador pode acessar o mapa, sua mala de armas, seu depósito de tesouros e informações de comando através da interação com o controle. O botão 1 fornece a interatividade, que é livre: o indivíduo escolhe a hora que ele precisa ver o mapa.
As múltiplas possibilidades de desdobramentos a partir de uma única situação já foram exploradas pelo cinema. Diversos filmes apresentam versões ‘possíveis’ de acontecimentos a partir de uma mesma cena, onde as escolhas ou ações dos personagens interferem nas narrativas decorrentes. O hipervídeo proporciona ao espectador a experiência de interferir no fluxo de imagens a partir de suas escolhas. Esta interferência causa um efeito cascata sobre o desenvolvimento da narrativa. Mais do que navegar por diversas possibilidades de desenvolvimento da história, há a reestruturação da história, impulsionada pelas escolhas realizadas pelo espectador.
A possibilidade maior do enfoque em um determinado caminho e o controle maior por parte da equipe de concepção é visível, bem como a sugestão automática de pontos de vista mais direta, porque depois de acostumar o usuário o acesso se torna quase inconsciente. Este modelo é, curiosamente, pouco explícito e inaugura um novo canal para as telas touch screen.
Múltiplas narrativas acontecem no hipervídeo em jogos de rpg, onde a história depende do usuário. É errado falar em diversidade de narrativas quando se tem apenas uma com conteúdos complementares, já que na verdade de tratam de conteúdos complementares. A história apenas se desenrola de acordo com a vontade do usuário se a interferência for real. No caso de ser, o fluxo é determinado pelas linhas de escolha do usuário. Só que tais linhas devem ser previstas pelos realizadores.
Da mesma maneira que vídeos podem sustentar conteúdos complementares ou alternativos, exite o hiperfoto. A mesclagem de textos, áudio e fotografia pode conter a base para uma plataforma de interação dentro de um software. É a tal hipermídia.
O Asterpix pratica o hipervídeo do tipo que usa o vídeo para a base de peqenas notas, que aparecem e seguem o conteúdo associado pela tela, com o desenrolar da ação. É bacana. O usuário não se perde dentro da ação. O Boo-box utiliza a mesma estrutura, apresentando uma navegação bem direcionada para o hipervídeo.
O recurso não pode virar um labirinto, claro. No especial que fizemos para a Agência Brasil, devido à falta de tempo pra planejar, não consegui estruturar uma navegação adequada. Assim, o coisinho tornou-se um labirinto de vídeos enormes. Fiz alguns testes: de 25 pessoas que observei navegar na peça, apenas 3 tiveram paciência para voltar ao conteúdo principal. Desses 3, só 2 não se perderam na hora de voltar ao conteúdo principal. Pena que os testes vieram só depois de ser publicado.Na tentativa de traçar um mapa de navegação pós-produção, cheguei a conclusão que criamos uma série de labirintos, no que concerne à navegabilidade. O leitor vai e não volta várias vezes. A árvore é alta demais. As categorias de sobreposição não ficam claras, e o acesso a elas fica prejudicado. Simplicidade é a mãe de um bom design, já pensavam os homens das cavernas. Complicamos demais.Assim, uma boa solução seria criar o caminho de volta ao final de cada ida. Traçando toscamente, seria o caso de sinalizar quando acaba a ida, bem como o que há em cada “encruzilhada” em termos de conteúdo e tipo de plataforma. Assim ó:

O aviso é muito importante, descobri. É grosseiro oferecer algo para alguém sem dizer o que é. O refino do hipervídeo pede a navegação estruturada baseada em estudo. Isso é crucial para o sucesso do projeto. E viva os jogos.
Tagged: hipermídia, Hipérvídeo, projeto
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7 Comments
Muito bom este post, não sabi tanto, aliás quase nada sobre hipervídeo.
Nem eu, Ana! kkkk
Valeu pela visita!
Bjosss
Olá Yaso,
Gostei muito do seu trabalho e linguagem na explicação do Hipervídeo. Estou querendo desenvolver um trabalho dessa natureza no interior da Bahia, especificamente na região do semi-árido que é muito carente das novas tecnologias da informação e comunicação e de suas inovações.
Você vai participar do Campus Party http://www.campus-party.com.br/blogoficial/ , quem sabe poderemos nos encontrar por lá. Diz alguma coisa por e-mail.
Abraços, parabéns pelo trabalho e disposição para divulgação.
Valnice
GOSTEI!!Boas dicas.
É possível saber como os testes com as 25 pessoas foram realizados?
Em tempo: muito obrigado!
é possível sim, Cláudio. Vou fazer um post explicando sobre isso. Realmente ficou faltando explicar essa parte