
Acho que todo mundo sabe que a maioria das leis brasileiras são inúteis. Às vezes porque ninguém cumpre, às vezes porque é impossível cumprir. Isso vem desde o império, claro, junto com a fama da inteligência portuguesa. Passaram-se os anos, o poder trocou de mãos e provou que a burrice não era de origem ibérica: as leis continuaram a ser feitas da mesma maneira: “nas coxa” e por gente que sabe pouco sobre o assunto.
Digite “leis imbecis” no google e você vai encontrar um repertório enorme para piadas de humor negro. Veja um exemplo bacana aqui, onde tem o exemplo do cara que raspava a casca de uma árvore para fazer chá e foi preso, crime inafiançável sob a lei LEI Nº 9.605, de fevereiro de 1998. Triste, mas muito específico. Então para tornar o assunto mais abrangente, um exemplo recente desse tipo de arbitrariedade contra o cidadão: a Lei Seca. Depois de TODO o bafafá gerado, na internet e na imprensa tradicional – tirando as piadas-, que durou uns 4 ou 5 dias, todo mundo se acomoda e dá o “jeitinho brasileiro” de sempre, enquanto os policiais não esquecem o assunto e páram de encher o saco com blitz em porta de restaurante.
Agora a mais nova sensação é a Lei do Senador Eduardo Azedo, aprovada ontem. Nada contra quererem punir crimes como pedofilia. O problema é o mesmo de sempre: burrice na hora de escrever o texto. Daí a lei segue matando coelhos, lobos e tudo que é animal que esteja ao seu alcance numa cajadada só. Bota no mesmo saco todos usuários de internet e ameaça suas liberdades dentro da rede. Com repercussão internacional, o assunto provocou milhares de reações dentro da web, até com uma petição online que conseguiu juntar mais de 11.000 assinturas. Se o projeto passar na Câmara e o presidente sancionar o texto, teremos mais uma para o nosso maravilhoso repertório de leis arbitrárias.
Me pergunto se faria diferença, no caso da lei seca, um buzinaço em frente ao congresso, trancando o trânsito em pleno meio-dia. E no caso desse projeto substitutivo sobre os crimes na internet, o que pode ser feito? Podemos esperar que os nobres legislantes se dobrem por 11.000 assinaturas VIRTUAIS? Oras. Cá entre nós, interneteiros: a importância da internet para esses indivíduos é tão grande quanto é específico o texto da lei. Nesse ponto, é necessário sair da caverna virtual e fazer alguma coisa. Eu sugiro jogar cocô no carro do excelentíssimo senador, claro. Ou botar fogo no carro dele (sem ele dentro). Mas tem gente sugerindo iniciativas mais inteligentes, tipo a Safernet ou o AK2 (via Dpadua). Ou quem sabe seguir o exemplo do PiratPartiet?
Enquanto o “jeitinho brasileiro” continuar tornando fácil aprovar babaquices como esta nos poderes, vai ficar difícil respeitar um agente da lei na rua. Tal e qual os militares não mereciam ser levados a sério a alguns anos atrás.
Tagged: internet, lei brasileira, leis, liberdade na rede, segurança, senador Eduardo Azeredo
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2 Comments
Yaso, só para informar. Para que sua manifestação tenha validade para poder ir a uma das comissões no Senado deve ter no mínimo 1 milhão de assinaturas, sendo que elas devem estar em no mínimo 5 estados e cada um deve ter no mínimo de 1/3 de seu eleitorado assinado a petição, ou seja, 11000 assinaturas na internet não valem de nada.
O que vale é se fazer ouvir, os jornalistas tem o dever de mostrar este absurdo e serem ouvidos pelos senadores e deputados da coisa absurda dessa lei. Infelizmente esta questão não aparece na mídia… enfim cada um tem de fazer seu papel.
Pois é, Ana. Mas as pessoas estão se movimentando por fora da petição, e já inclusive tem uma matéria no G1 descortinando um pouco dos argumentos falsos do autor do projeto. Dá uma olhada no google procurando, vc vai ver q tem uma GALERA se movimentando.
Beijos!