E-mail que enviei hoje para a lista de discussão dos formados (andos) em design na UnB.
Olá a todos,
Ferramentas não dizem nada sobre o designer, uma vez que o cara pode fazer um trabalho excepcional sem nem mesmo tocar em um teclado. Além disso,
fazer design depende de uma multidisciplinaridade que não permite o cercamento. No máximo,
“best practices” que poderiam ou não serem seguidas.Isso sem citar o surgimento das metodologias ágeis de design, engenharia reversa e toda a gama de metodologias que exigem do designer habilidades que não estão incluidas em nenhuma lista pré definida, uma vez que são maleáveis e mudam de acordo com a natureza de cada projeto.
Essa coisa de classificar pessoas que não tem teoria em design como “micreiros” me parece reserva de mercado. Felizmente, no mercado brasileiro há espaço para todos. De todos os preços e estilos, o que faz com que o dono da barraquinha de cachorro quente possa pagar R$ 50 em uma identidade visual para sua barraquinha, e que o dono da fabrica de salsichas possa achar um profissional que vai gerar sua identidade visual por R$ 50.000.
É uma humilde opinião.
Abraço a todos,
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6 Comments
Tem muito mais designer que prefere gastar tempo tentando garantir que só ele faça o mais-do-mesmo, do que designer se dedicando a inovar – a essência do que se espera em design. Só não sei se eu rio ou se eu choro.
Opinião perfeita! Hoje em dia rotulam mesmo que não tem experiência em design como “Micreiros” mas as vezes a pessoa que não tem uma certa noção de principios do design faz melhor que um Profissa Design formado. E dependendo quem paga e paga bem pode se tornar um micreiro ou Designer.
Não é uma opinião perfeita.
Designer necessariamente tem uma teoria formal para dominar, estabelecida ao longo de séculos de desenvolvimento de artes e tecnologias, que não precisa ser reinventada.
Também é essencial que ele invista em formação cultural e artística,o que demanda tempo e dinheiro.
Engenharia não faz sozinha um designer, mas quando alguém é essencialmente técnico, fica fácil esquecer disso e achar que soluções técnicas são tudo o que conta. Não são.
O designer com um estúdio estabelecido não pode cobrar 50 reais por nenhum job porque isso é concorrência predatória, além de destruir irremediavelmente a percepção de valor do trabalho. Um profissional para ter respeito deve saber cobrar pelo seu serviço.
O micreiro do logo do cachorro-quente pode cobrar 50 reais e considerar que está lucrando porque quase é certo que não pagou pelas licenças das ferramentas de software, ao contrário do cara do estúdio. Triste mas verdadeiro.
E pelo seu meio formativo você deveria saber que não, o espaço não está dando para todos.
Finalmente, um artista excepcional pode criar algo sem tocar no teclado, mas ainda necessitará de conversão e adaptação do seu trabalho para integrá-lo às diversas mídias, atualmente todas com base eletrônica. Sem isso, é apenas um artesão. Quem provê essa conversão? Está estabelecido há anos que o próprio designer é responsável por isso. Ou tem fluência com os meios de reprodução eletrônica ou está fora.
Ia escrever a minha opinião, mas o Mauro Amaya aqui em cima já disse tudo =)
Não há espaço para todos no mercado e enquanto os clientes não entenderem a real importância de um designer para as suas empresas, nada vai pra frente e continauremos sim, com um mercado abarrotado de micreiros.
Concordo com o Mario Amaya e digo mais, um designer não se faz apenas por saber ou conhecer ou ter um micro com programas de design, o que se tem por aí, os ditos “micreiros” é que copiam tudo o que é criado por designers profissionais, pela facilidade de se conseguir lay-out’s prontos pela internet e programas que dão uma ajuda no desenvolvimento de alguma coisa de programação visual, estou cansado de ver logomarcas com cara de outras tantas por aí, porque alguns softwares tem padrões de figuras ou imagens para se “desenvolver” uma logo, assim como outros programas para desenvolver um lay-out de site ou qualquer outra coisa. Um designer se faz pelo conhecimento que ele tem adquiridoadquire ao longo do tempo e sua interação com o ambiente que o cerca, com as constantes mudanças do meio em que vive. O conhecimento técnico faz parte de qualquer profissão e na de design não é diferente, um designer que não conhece ou não se preocupa em conhecer marketing, por exemplo, não consegue desenvolver uma marca ou um design digno de atingir os vários públicos existente na região em que vive ou até no país em que está. Um designer tem uma responsabilidade social muito grande, pois se ele tem essa consciência, ele pode mudar conceitos e formar opniões. Eu não acho que os futuros designers serão os “micreiros” porque conhecimento superficial não leva a nenhum aperfeiçoamento, mas apenas em atrapalhar quem leva isso a sério, vive disso e se formou numa faculdade, cujo investimento em tempo e dinheiro foi muito grande. Onde a preocupação constante e a investigação incessante o leva a crescer e formar idéias mais concretas e até revolucionárias. Podemos até comparar esta situação com a de um barbeiro que acha que pode ser um grande cabeleireiro porque ele conhece todas as ferramentas de trabalho, sem investigação, aquisição de conhecimento ou estudo e aperfeiçoamento necessário ele jamais será maior que o barbeiro da esquina.
Sou formado em Desenho Industrial há 22 anos e, infelizmente, concorro com “micreiros” porque a mentalidade do empresário brasileiro é a de que a sua empresa, não precisa de um design atraente e planejado, mas de algo “bonitinho” que agrade a seus olhos e que seja barato. Jamais um empresário desses vai querer usar os serviços de um designer profissional porque ele “acha” que não precisa, afinal muitas empresas são de fundo de quintal mesmo! Com suas vidas em torno de 5 anos no máximo.
Opinião Perfeita o caramba, meu filho.
Isso é a desvalorização de 4 anos de estudo em uma universidade, desvalorização profissional, uma pessoa sem base alguma fazer uma coisa ordinária sem ao menos ter pesquisado nada, de desicado, somente pensando em dinheiro. tira o trabalho de quem ama sua profissão, que é tristemente mal valorizada nesse país. se for assim o açogueiro de hoje é o médico de amanhã e está tudo bem? falar é fácil pra quem não vive na pele. pense nisso.