Da remuneração do Designer e sua relação com o Design

Arte e Logotipos a R$ 20. R$ 80, com cartaz colorido junto. É o preço aqui do Cyber Café, em frente ao prédio da Radiobrás, onde eu trabalho. Em busca de socorro, fui ao site da Adegraf, recorrer à tabela dos designers. Embalada por um excelente projeto gráfico, as sugestões de preços apresentam uma tabela fora da realidade para designers comuns. Como geralmente essa tabela é usada como referência, apenas, isso não importa muito.

A dificuldade em precificar o trabalho do designer não é de hoje, porque é parte intangível. O trabalho pronto, impresso na tela ou em qualquer outro meio, geralmente é apenas a parte que o cliente pode sentir, o resto ele não sabe, não viu, e sequer imagina que pagou.

Atrás de referências, encontrei aqui um texto que fala sobre esse dilema.

“O valor do design é dado por sua funcionalidade. Se o design não for funcional ele não tem valor. Às vezes desenvolvemos algo muito simples para uma empresa e que acaba se tornando funcional a tal ponto de aumentar suas vendas em 50% ou até 80%(…)”

Funcionalidade. Aumento de vendas. O uso desses jargões descortinam um esforço em tornar o design algo tangível, que atraia resultados mensuráveis para que seja possível COBRAR sobre as projeções de valores. Na tentativa de mostrar para os clientes que ele precisam de design (disso não há dúvidas) são utilizados recursos que procuram convencer de que o preço sugerido é justo. Embora ninguém saiba de onde, magicamente, as peças surgem. É por isso que as coisas continuam como estão.

Eis que na tabela citada encontro a seguinte divisão:

veja 1

A tabela conta com divisões para empresas grandes, médias e pequenas. Os preços são ABSURDAMENTE diferentes.

Isso implica em diferença nos trabalhos? Significa que para pequenas empresas há menos esforço? O trabalho é de qualidade inferior? Ou trata-se de caridade, já que os pequenos não têm como pagar? Qual a diferença de valor para o designer, que na teoria, deveria executar os dois trabalhos com o mesmo esforço e paixão?

Suponhamos que a diferença esteja na visibilidade do trabalho. Então criar uma marca para uma pequena empresa de fabricação de laticínios custaria mais caro do que fazer o mesmo por uma grande empresa de advocacia, por exemplo. Não confere. O preço da hora do designer não pode ser atrelado ao tamanho da empresa, e sim ao seu trabalho.

Designers, que deveriam ser gestores de marca, executando ações de BRANDING (e não naming) precisam pensar em fatores como faturamento, fluxo de caixa, visibilidade e MIND SHARE. Ao invés de pensar apenas em “quantidade de aplicações”.

A precificação de um serviço intangível precisa ser mais cuidadosa. Não se pode assumir valores diferentes para trabalhos iguais. Costumo me validar em cima dos percentuais ganhos com a mudança. Um valor fixo, mais uma porcentagem do faturamento líquido mensal durante um ano, sobre os ganhos após a implementação da nova marca, por exemplo, me parece mais tangível para o empresário. Me parece mais justo, embora perigoso para o designer, que precisa, finalmente, convencer não só ao seu cliente, mas também a si mesmo, dos valores embutidos no seu trabalho.

E confiar nele.

Obs.: No usabilidoido tem, como sempre, um post interessante sobre isso. Veja aqui.

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9 Comments

  1. Essa lista tá superfaturada!!!!

    Posted July 17, 2007 at 4:27 pm | Permalink
  2. Superfaturado é apelido… Essa lista é coisa de turco: jogar o preço lá em cima pra ver se algum turista otário paga..kkkk

    Valeu pela visita, Virgínia…

    Posted July 17, 2007 at 7:34 pm | Permalink
  3. Confesso que não olhei a tabela da ADEGRAF, mas tem diferença sim fazer marca para pequenas e grandes empresas.
    Certamente a etapa de levantamento de dados (pesquisa) para uma grande empresa vai ser bem maior que para uma pequena empresa.
    É provável que a etapa de escolha das alternativas seja mais longa também porque serão mais pessoas para aprovar e o impacto da decisão abrangerá um mercado maior, ou seja, a responsabilidade pelo trabalho é maior.
    Por fim, pense no total de horas de atendimento. Elas geralmente crescem exponencialmente à medida que o tamanho da empresa aumenta.

    P.S.: Eu não sou do contra 100% do tempo :)

    Posted July 18, 2007 at 7:15 pm | Permalink
  4. Nah, Rodrigo. Se a diferença está nas horas trabalhadas e na pesquisa, há que medir o trabalho e orçar em horas, e não indexar em uma tabela, justamente porque grandes empresas podem dar menos trabalho do que pequenas empresas. Tanto em número de aplicações quanto em pessoas para aprovar e impacto no mercado.

    Pode ver o caso dos laticínios. Prateleiras do Brasil todo não são inundadas com a marca da Votorantin, por exemplo. Trabalhos diferentes para empresas diferentes, não importando seu tamanho.

    Você fica melhor jogando no time “dos contra”. kkkk
    Beijão

    Posted July 18, 2007 at 8:15 pm | Permalink
  5. Prateleiras do Brasil são inundadas com Votorantim sim!!! Basta ir nas lojas de material de construção ao invés do supermercado. Se fosse seguir esse raciocínio a Ferrari não precisaria de marca….

    Com certeza empresas pequenas podem, eventualmente, dar mais trabalho do que grandes é por isso que, como você mesmo disse, a tabela da ADEGRAF como tantas outras, apresenta valores referenciais. Para que tenhamos uma noção de como cobrar no mercado do DF, por exemplo.

    O que eu tentei justificar foi a diferença de valores relacionada à diferença de tamanho das empresas. Não entrei no mérito dos valores em si.

    Posted July 19, 2007 at 10:35 am | Permalink
  6. hum… me parece que, por algum motivo obscuro, você quer ganhar dinheiro. Não bastam os amigos? Estou treinando para me alimentar apenas de luz e emoções.

    Posted July 19, 2007 at 10:38 am | Permalink
  7. Eu? Dinheiro? Nem sei o que é isso!

    Eu vivo de luz e emoções já, desde que entrei AQUI. Meu carro é que não compreende.

    Posted July 19, 2007 at 12:30 pm | Permalink
  8. Yaso, isso acontece na tabela dos publicitários também. Mas como o Rodmaia falou ess preço é só uma referência para você saber quanto deve pedir para um cliente superrico e que não faça pesquisa de mercado para saber quanto é cobrado.
    A tabela é sim necessário, mas infelizmente é irreal.

    Posted July 19, 2007 at 3:26 pm | Permalink
  9. É, meu problema nem é a superfaturação.. É a desonestidade mesmo…

    HORAS já!!
    kkkk
    Beijos

    Posted July 20, 2007 at 3:04 pm | Permalink

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