Foi nos corredores da faculdade onde dou aula que conversei com Pedro Jorge, doutor em cinema, sobre o tal do jornalismo morto. Eu, uma simples diretora de arte/designer/programadora/profissional de marketing, tentava entender com ele, que coordena hoje uma faculdade de comunicação, o porque de existir jornalismo, ainda.
A resposta simples que ele me deu é exatamenteo que eu sempre pensei, e que nunca falei porque tenho 27 e não 70 anos, como ele. “O jornalismo não existe. Nunca existiu. O que existe são comunicadores. Essas faculdades de jornalismo ensinam apenas uma parte do que é comunicação. O jovem vê o âncora do jornal da Globo e acha bonitinho, quer ser jornalista. Mal sabe ele que a tarefa é mais complicada do que ler um texto na TV, ou investigar uma situação. Na hora de contar a história é que o bicho pega. Há muitos filmes por aí que valem mais do que trinta telejornais”.
Ok Ok, ele é cineasta. Mas e a opinião de jornalistas? Li hoje uma entrevista que o André Deak deu pro Jorge Rocha falando no assunto:
O bom e velho jornalismo está morrendo. Você é muito gentil com carcaças nauseabundas. Na verdade, o jornalismo morreu. Forma, prática, credibilidade, trato com a informação … a lista é grande.
Pra mim, profissional multimídia é redundância. Porque pessoas que contam histórias, relatam fatos, têm que fazer do melhor modo. Nem que seja em guardanapos.
Tagged: cinema, comunicação, gestão, jornalismo, Pedro Jorge
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5 Comments
É engraçado: às vezes as pessoas sabem contar ótimas histórias, mostram fotos, gesticulam, mostram onde foi que aconteceu, mas depois que passam por uma faculdade de jornalismo esquecem tudo e viram salames.
Se alguns filmes valem por 30 jornais, essa frase do teu professor valem por 30 aulas…
Pois é. Eu que o diga. Os designers formados também têm problemas parecidos, hehe.
Yaso, minha chefe me mostrou esse blog que fala de algumas das agonias que designers que trabalham com jornalistas passam…
http://fazcaber.globolog.com.br/
Yaso vc conhece algum curso de arquitetura da informação oferecido aqui em bsb?
Yaso, a essência é exatamente essa. O pior de tudo é que atualmente, as faculdades de jornalismo ainda ensinam o cara a não gostar de comunicação. Ficam fazendo leituras horrorosas da realidade. Uma campanha estadunidense tem o seguinte slogan: Know the Media, be the Media, change the Media. É um caminho. Uma atualização do velho e bom Do it Yourself – e vamos tocar guitarra e fazer barulho…
Pois é, Rodrigo… Meu sonho é que as facudades de jornalismo sejam extintas, assim como as de design. E que no lugar os alunos apenas escolham com que ferramentas querem divulgar idéias, fatos, notícias… Enfim, tudo que pode ser espalhado pela comunicação.
Gostei do Slogan!